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Células do Sistema Imune

Introdução

As células do sistema imunológico são fundamentais na defesa do nosso organismo 🙅‍♀️💪. Entre elas se incluem as células especializadas que capturam e apresentam antígenos (APCs), os linfócitos, e as células efetoras, que eliminam os patógenos.

Células apresentadoras de antígenos (APCs)

Estas células estão presentes na pele, trato gastrointestinal e o trato respiratório. Ou seja, estão nas “portas” de entrada dos micro-organismos no corpo. Elas capturam os antígenos, transportam-nos para os tecidos linfoides periféricos e os expõem aos linfócitos T. São exemplos de APCs: células dendríticas da pele, macrófagos residentes nos tecidos, linfócitos B.

As APCs expressam a proteína de superfície (MHC – complexo de histocompatibilidade maior), e secretam outras proteínas (citocinas), que são capazes de – na presença de um antígeno – ativar os linfócitos T virgens para proliferação e diferenciação.

Os linfócitos B são um caso bastante especial desse tipo celular. Eles tanto são células apresentadoras de antígeno, pois tem MHC e podem ativar linfócitos T, como são alvos dessa apresentação. Contudo, se sabe pouco sobre a apresentação de antígeno aos linfócitos B. O que se sabe é que os macrófagos fazem esse papel também.

Além disso, há um tipo especial de APC chamada célula dendrítica folicular, que reside nos centros germinativos dos órgãos linfoides.

Macrófago apresentando antígeno para Linfócito TCD8+. Fonte: ROSS, Michael H.; PAWLINA, Wojciech. Histologia: Texto e Atlas. 7. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. p. 704.

Algumas APCs, como as células dendríticas, além de apresentar antígenos produzem citocinas que recrutam leucócitos e iniciam a resposta imune adquirida.

Linfócitos

Os linfócitos são as únicas células que possuem receptores específicos para antígenos, sendo, consequentemente, os principais mediadores da imunidade adquirida (aquela mais específica e tardia).

Apesar de todos os linfócitos serem morfologicamente semelhantes e terem uma aparência comum, sua linhagem, função e fenótipo são muitooo diversos. Eles são capazes de respostas e atividades biológicas complexas. Essas células são diferenciadas pelos conjuntos de proteínas de superfície (chamadas de CD – cluster of differentiation).

Os tipos de linfócitos mais expressivos são o B, T e NK.

Linfócitos. Fonte: ROSS, Michael H.; PAWLINA, Wojciech; BARNASH, Todd A. Atlas de histologia descritiva. Porto Alegre: Artmed, 2012. p. 65.

Linfócitos B

Os linfócitos B amadurecem na medula óssea e são as únicas células capazes de produzir anticorpos (imunoglobulinas) – por isso, são os responsáveis pela imunidade humoral.

Além de secretar os anticorpos circulantes, essas células expressam imunoglobulinas ligadas à membrana, denominadas receptores de células B (BCR), que servem de sítio de ligação específico para antígenos. O objetivo: iniciar o processo de ativação celular → tornar-se célula secretora de anticorpos (plasmócitos).

Linfócitos T

Os linfócitos T devem o seu nome ao timo, que é o local onde se diferenciam. Eles são os responsáveis pela imunidade celular. Essas células são subclassificadas de acordo com a existência ou não de dois marcadores de superfície importantes: CD4 e CD8. Além disso, os linfócitos T apresentam, em sua superfície, receptores de antígeno de célula T (TCR).

Os TCRs reconhecem apenas fragmentos peptídicos de proteínas antigênicas que estão ligados a moléculas de apresentação especializadas (MHC – complexo de histocompatibilidade maior) na superfície das células apresentadoras de antígenos (APCs).

💡Macete

Calmaa, Doc! Acompanha o raciocínio:

Os linfócitos T precisam responder celularmente as ameaças, certo? Como eles sabem o que é uma ameaça? As células apresentadoras de antígeno contam para eles. Como elas fazem isso? Elas expõem uma parte da ameaça em seu MHC, pra que o Linfócito T consiga reconhecer que aquilo ali é uma ameaça.

Pense nas células apresentadoras de antígeno como sendo um jovem com uma camiseta (MHC) escrito “PROCURA-SE”, e uma foto do meliante (fragmentos peptídicos do invasor) que está ameaçando a vida do organismo. Nessa analogia, os linfócitos T são a polícia, que tendo sido apresentada ao invasor, procurará por ele para matá-lo (CD8+) ou irá auxiliar as demais células de defesa nesse fim (CD4+).

Adaptado de: https://montinkantigo.s3.amazonaws.com/data/camisas/procura-se-verdadeiros-adoradores-591b9e6f3c67f.jpg.

Tipos de linfócitos T

Linfócitos T CD4+ são chamados de T auxiliares, pois ajudam os linfócitos B a produzir anticorpos e as células fagocitárias a ingerir os micro-organismos. As células T auxiliares produzem proteínas (chamadas citocinas), que ativam as células B e os macrófagos.

Uma classe especializada de CD4+ são os T reguladores, responsáveis por prevenir ou limitar a resposta imune.

Já os linfócitos T CD8+ são chamados de citolíticos (ou citotóxicos) porque destroem (lise) das células infectadas por micro-organismos intracelulares.

Linfócitos NK

Outra classe de linfócitos são os NK (células natural killer). Eles não apresentam os mesmos receptores antigênicos dos linfócitos T e B, e fazem parte da imunidade inata. Durante o seu desenvolvimento, as células NK são geneticamente programadas para reconhecer células transformadas (ex: células infectadas por vírus ou células tumorais). A função? O nome já sugere: atacar rapidamente as células infectadas e matá-las. Elas fazem isso desencadeando o processo: reconhecimento de uma célula transformada → Ativação das NKs → liberação de perforinas e granzimas → apoptose ou lise da célula ­alvo.

ABBAS, Abul K; LICHTMAN, Andrew H. Imunologia Básica: Funções e distúrbios do sistema imunológico. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. p. 10.

Células Efetoras

Chama-se de células efetoras aquelas que fazem o “trabalho sujo”. Ou seja, que eliminam os micro-organismos. São seus representantes: linfócitos e outros leucócitos. Sobre os linfócitos, já conversamos, eles estão exclusivamente ligados a imunidade adquirida. Já as efetoras não-linfoides podem ser: os granulócitos e os macrófagos, e podem estar associados as “duas imunidades”.

Fagócitos: Neutrófilos e monócitos/macrófagos

Os dois tipos de fagócitos circulantes são os neutrófilos e os monócitos. Estas células sanguíneas são recrutadas para locais de infecção, onde reconhecem e ingerem os micro-organismos.

Quando há uma infecção, as citocinas liberadas agem na medula óssea aumentando rapidamente a síntese de neutrófilos e monócitos. Os fagócitos migram para o local da infecção ligando-se a moléculas de adesão endotelial, fazem o processo de diapedese e chegam ao sítios de ação.

Monócitos. Fonte: https://www.histologyguide.com/

Quando chegam nos tecidos, os neutrófilos fazem seu serviço (fagocitose) e rapidamente morrem. Os monócitos, por sua vez, quando migram da circulação para a periferia, se diferenciam em macrófagos e sobrevivem por longos períodos (fazendo fagocitose e apresentação de antígenos).

Macrófagos fazendo fagocitose. Canal Butantan. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=QFESCVmdacs.

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Resposta

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Referências

  1. ABBAS, Abul K; LICHTMAN, Andrew H. Imunologia Básica: Funções e distúrbios do sistema imunológico. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
  2. ROSS, Michael H.; PAWLINA, Wojciech. Histologia: Texto e Atlas. 7. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  3. ROSS, Michael H.; PAWLINA, Wojciech; BARNASH, Todd A. Atlas de histologia descritiva. Porto Alegre: Artmed, 2012.
  4. Histology Guide: Virtual Microscopy Laboratory. https://www.histologyguide.com/

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