Início » Doença de Alzheimer

Doença de Alzheimer

Definição

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência atualmente e uma das principais doenças crônicas da velhice. É definida como um declínio importante, gradual e progressivo da cognição em um ou mais domínios, podendo ser diagnosticada como “possível doença de alzheimer” ou “provável doença de alzheimer”, a depender do comprometimento funcional.

https://pixabay.com/images/id-63615/

Epidemiologia

Doc, estima-se que no Brasil mais de 50% dos idosos com demência acima de 65 anos sejam acometidos pela doença e que a partir dos 60 anos, a chance do idoso desenvolver Alzheimer duplica a cada 5 anos, sendo de 0,16% em pessoas de 65 a 69 anos até 23,4% em pacientes acima dos 85.

Quanto aos fatores de risco, o principal é indiscutivelmente o avanço da idade, mas outros fatores como lesões vasculares e algumas das doenças mais comuns da atualidade (hipertensão arterial, obesidade, diabete mellitus e outras) parecem ter relação, além de que também existe influência genética. Além disso, vale falar dos fatores protetivos, que incluem a alta escolaridade, a atividade intelectual produtiva, atividade física e até alimentação (o Tratado de Neurologia da Academia Brasileira de Neurologia destaca a dieta mediterrânea).

Quadro Clínico

A clínica da doença de Alzheimer é insidiosa e progressiva e na maioria das vezes o primeiro sintoma é o prejuízo da memória de curto prazo, sendo seguido por alterações comportamentais e outras alterações cognitivas. É muito comum que o avanço do Alzheimer gere comprometimento funcional, ou seja, que a doença torne o paciente incapaz de algumas atividades cotidianas, como cuidar de dinheiro ou cozinhar, podendo avançar até a impossibilitar as funções mais básicas, como higiene pessoal.

Sintomas como depressão, apatia, irritabilidade e agressividade também são esperados, bem como delírios e alucinações.

Diagnóstico

A última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), divide o diagnóstico entre pacientes com transtorno neurocognitivo maior (demência) e transtorno neurocognitivo leve, é meio confuso, Doc, mas vamos tentar simplificar! 😉

Primeiramente, os sintomas devem ser insidiosos e a progressão da doença deve ser gradual!

Os pacientes com transtorno neurocognitivo maior (demência) podem ser diagnosticados com “provável doença de Alzheimer” quando 1 desses 2 características está presente👇

  1. Mutação genética provada por história familiar ou teste genético;
  2. Todos os 3 pontos:
    • Declínio da memória e aprendizagem e algum outro domínio cognitivo;
    • Declínio cognitivo progressivo e gradual;
    • Descartadas outras causas.

Caso contrário, o paciente é considerado com “possível doença de Alzheimer“.

Já os pacientes com “transtorno neurocognitivo leve” precisam da comprovação genética para o título de provável e todos os 3 pontos citados no número 2 para ser considerada possível.

😉 Doc, caso você não lembre o que é o transtorno neurocognitivo maior, leia nosso post sobre demências!

Ah! E é muito importante explorar outras causas de demência antes de estabelecer o diagnóstico, considerado obrigatório pelo Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de neurologia a realização de exames como: hemograma, creatinina, TSH, albumina, TGO e TGP, vitamina B12, ácido fólico, cálcio, VDRL e para alguns pacientes específicos, o teste sorológico para HIV, a punção do líquido cefalorraquidiano e tomografia ou ressonância.

Tratamento

Doc, atualmente, a doença de Alzheimer não tem cura, sendo o tratamento considerado sintomático. São usados inibidores da colinesterase (IChE), fármacos com ação colinérgica, e antagonistas de receptores NMDA do glutamato, de ação glutamatérgica. Os principais IChE são a donepezila, galantamina e rivastigmina.

É comum que ocorram efeitos adversos decorrentes da ação colinérgica, como náuseas, vômitos e diarreia, sendo recomendado que se inicie com baixas doses e as aumente gradualmente a cada 4 semanas. Também é possível que ocorram episódios cardíacos como síncope e bradiarritmias em pacientes suscetíveis, sendo recomendado um eletrocardiograma para avaliação.

O principal antagonista de receptores NMDA do glutamato é a memantina, principal fármaco usado nas fases moderadas a graves da doença.

Vale lembrar, Doc, que mudanças comportamentais como vida social ativa, exercícios físicos e dieta saudável é essencial para o bom tratamento do paciente com Alzheimer!

💡 Macete

Um jeito fácil de decorar os principais pilares do tratamento da Doença de Alzheimer é lembrando da palavra MÉDICA:

M – Memantina: principal medicamento indicado no tratamento de fases moderadas a graves da doença;

E – Estimulação e Exercícios: tanto os exercícios físicos (como caminhadas e ginástica) quanto mentais (como quebra-cabeças e jogo da memória) são essenciais para a saúde do paciente e o retardo da doença;

D – Dieta: a dieta saudável é muito importante para manter o paciente saudável e evitar somar outras causas de demência, como as vasculares;

I – Inibidores de colinesterase: principais medicamentos indicados no tratamento de fases leves a moderadas da doença;

C A: Cuidado e Apoio: É indispensável o apoio da família e dos cuidadores para preservação do paciente com Alzheimer, tendo em vista que o autocuidado, a autonomia e o nível de doença são progressivamente prejudicados.

Bora testar seu conhecimento, Doc?

Resposta

Doc, quer treinar esse assunto e qualquer assunto da medicina com +16.000 questões comentadas, +100.000 Flashcards, Resumos e Vídeo-aulas?

Se inscreva em nosso site para ser avisado da abertura de vagas da Plataforma MEDsimple 

Referências

  1. BARCELOS-FERREIRA, Ricardo et al. Clinically Significant Depressive Symptoms and Associated Factors in Community Elderly Subjects From Sao Paulo, Brazil. International Journal Of Geriatric Psychiatry. São Paulo, p. 582-590. 7 jul. 2009.
  2. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
  3. GAGLIARDI, Ruben J.; TAKAYANAGUI, Osvaldo M.. Tratado de Neurologia: da academia brasileira de neurologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.
  4. PRADO, Marco A. et al. Envelhecimento e memória: foco na doença de alzheimer. Revista Usp, São Paulo, n. 75, p. 42-49, 1 nov. 2007. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revusp/issue/view/1076. Acesso em: 18 fev. 2023.

Post navigation

1.444 Comments