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Morte celular: necrose

Introdução

Doc, sabemos que a célula visa manter sua homeostase 🤔 e, por isso, quando é submetida a condições adversas ou a um estímulo nocivo, ela tenta se adaptar para evitar lesões! Contudo, em casos de lesão muito intensa ou progressiva, a célula acaba sofrendo morte celular ☠️, por apoptose ou necrose.

Diferente do que conhecemos na apoptose, a necrose é uma via de morte acidental e desregulada, 🤕 que provoca danos à membrana celular e perda da homeostase iônica. Por conta disso, o extravasamento do conteúdo celular provoca grande reação inflamatória no hospedeiro. 🛡️

Doc, vale ainda mencionar que a digestão do conteúdo celular na necrose se dá por enzimas lisossômicas 🍽️ provenientes da própria célula e dos leucócitos recrutados pela inflamação.

E, por ser um processo relativamente lento, a primeira evidência histológica de necrose pode demorar horas a aparecer, ainda que no sangue, moléculas específicas da célula lisada possam ser encontradas antes. ⌛

  • 🫀 Exemplo: Doc, uma necrose miocárdica somente pode ser vista à lâmina histológica após cerca de 4-12 horas, enquanto enzimas específicas do coração podem ser encontradas no sangue após 2h do incidente. 🫀

Morfologia

As células necróticas se apresentam com eosinofilia exuberante na coloração por hematoxilina e eosina (H&E); isto devido à perda do RNA citoplasmático e das proteínas desnaturadas. 🤔👇

  • 🚨#Atenção: o RNA no citoplasma se liga ao corante hematoxilina (azul), enquanto a desnaturação se liga à eosina (vermelho). Assim, a combinação desses fatores tende para o tom mais avermelhado.🚨

Além disso, devido à perda de partículas de glicogênio, a célula possui aparência mais homogênea e vítrea. E, após a digestão das organelas citoplasmáticas, a célula começa a apresentar vários vacúolos, 🍽️ como se estivesse roída por traças.

Enfim, as células morte são substituídas por figuras de mielina, fosfolipídios originados da lesão de membrana celular, as quais são fagocitadas e degradadas em ácidos graxos. Por fim, o ácido graxo pode sofrer saponificação e formar sais de cálcio, ou seja, determinando calcificação 🪨 dos resíduos.

Doc, veja nas imagens abaixo a diferença entre células normais (Figura 1), com células epiteliais do túbulo renal; e células em necrose (Figura 2), com células epiteliais demonstrando perda de seus núcleos, fragmentação celular e perda de seu conteúdo: 👇

Alterações nucleares

Doc, as alterações que o núcleo sofre merecem destaque, pois aqui existe uma sequência até seu desaparecimento: picnose ➡️ cariorrexe ➡️ cariólise.

  • Picnose: retração nuclear e aumento da basofilia;
  • Cariorrexe: fragmentação do núcleo picnótico;
  • Cariólise: esmaecimento da basofilia da cromatina, refletindo a perda de DNA por degradação enzimática por endonucleases.

Ao fim, o núcleo da célula necrótica desaparece totalmente em cerca de 1 a 2 dias! ⏱️

Padrões de necrose tecidual

Doc, até o momento vimos como a necrose se apresenta em uma célula. Mas quando pensamos em um tecido ou órgão como um todo, é interessante notarmos que existem diferentes padrões de necrose! 📚

Necrose coagulativa

Primeiramente, a necrose coagulativa é um tipo de necrose em que a arquitetura dos tecidos é preservada por alguns dias, ou seja, o tecido permanece com uma consistência 💪 firme! 💪 A área de necrose de coagulação é conhecida, também, como “infarto”.

  • 👀Acredita-se que isto ocorra pela degradação não somente das proteínas estruturais, como também das enzimas proteolíticas!

Hey Doc, se liga nessa imagem de um infarto renal! Veja as células mantendo a estrutura, firmemente, ainda que já estejam mortas.
KUMAR, V.; ABBAS, A.; FAUSTO, N. Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Necrose liquefativa

A necrose liquefativa é o tipo de necrose em que há digestão rápida das células mortas, deixando o tecido como uma massa viscosa e líquida! 😲 Normalmente, acontece em infecções, devido ao acúmulo de leucócitos e liberação das enzimas. Por isso, é comum que o material seja amarelo-cremoso pela presença de leucócitos mortos, ou seja, que seja um pus!

Doc, por razões ainda desconhecidas, qualquer morte celular por hipóxia (isquemia, por exemplo), que ocorra dentro do SNC 🧠 irá se manifestar como uma necrose liquefativa! Veja a imagem acima.
KUMAR, V.; ABBAS, A.; FAUSTO, N. Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Necrose caseosa

A necrose caseosa é o tipo de necrose que ocorre em focos de infecção tuberculosa 🫁. Seu nome foi determinado devido a ser parecida com o queijo, ou seja, friável e esbranquiçada. Assim, a aparência é característica de um granuloma.

Doc, veja essa imagem de uma necrose caseosa devido à infecção tuberculosa de um pulmão.
KUMAR, V.; ABBAS, A.; FAUSTO, N. Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Necrose fibrinoide

A necrose fibrinoide é o tipo de necrose que geralmente envolve vasos sanguíneos 🩸, tipicamente ocorrendo quando complexos de antígenos e anticorpos se depositam nas paredes. Ou seja, quando se formam imunocomplexos!

Doc, veja esse corte histológico de uma artéria com depósito de imunocomplexos e consequente necrose fibrinóide (área circunferencial rosa-brilhante).
KUMAR, V.; ABBAS, A.; FAUSTO, N. Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Necrose gangrenosa

A necrose gangrenosa não é um padrão de necrose propriamente dito, Doc. Contudo, é tão utilizada na prática clínica que gostamos de citá-la. Ela consiste na necrose de um membro 🦶 devido a perda do suprimento sanguíneo, ou seja, uma necrose de coagulação.

Assim, quando há sobreposição de infecção bacteriana, pode-se ter uma necrose coagulativa, e a necrose passa a se chamar gangrena úmida.

Doc, veja essa imagem de necrose gangrenosa! Tipicamente uma necrose de coagulação, mas que afeta um membro.
http://brunojornalpontocom.blogspot.com/2016/06/dedo-necrosado-tem-cura-e-reimplante.html
E aqui, observe uma imagem de gangrena úmida, com formação de pus.
http://www.conims.com.br/arquivo_usu/documentoanexo/conims-20200317-145251.pdf

Necrose gordurosa

A necrose gordurosa, tal como a necrose gangrenosa, também não é um padrão de necrose. Contudo, novamente, por ser muito utilizada na prática clínica também achamos interessante colocá-la aqui.

Assim, ela consiste em áreas de destruição adiposa, normalmente pela liberação de lipases pancreáticas dentro do pâncreas ou na cavidade peritoneal 🫃. Os ácidos graxos liberados se combinam com cálcio e produzem áreas calcáreas brancas 🪨 macroscopicamente visíveis.

Doc, veja essa imagem de necrose gordurosa no mesentério, com áreas de calcário brancos.
KUMAR, V.; ABBAS, A.; FAUSTO, N. Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Macete! 💡

Doc, depois de tantos nomes de padrões de necrose, é fácil se perder e esquecer, né? Por isso, a equipe MedSimple pensou em uma forma de ajudar a lembrar desses nomes! Veja só:

  • Cada Letra Contraindica um Feio, Gordo e Gagá!

Assim, fica mais fácil de lembrarmos de coagulativa (cada), liquefativa (letra), caseosa (contraindica), fibrinoide (feio), gordurosa (gordo) e gangrenosa (gagá).

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Referências

  1. KUMAR, V.; ABBAS, A.; FAUSTO, N. Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  2. Departamento de Anatomia Patológica, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Disponível em: <https://anatpat.unicamp.br>

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