Início » Morte celular

Morte celular

Introdução

Doc, sabemos que célula é capaz de enfrentar estresses do ambiente através dos processos adaptativos! Contudo, se o stress for persistente ou o estímulo a qual for submetida seja algo nocivo, a célula passa a apresentar uma lesão celular. 😣

Assim, uma vez lesionada, a célula pode retornar a sua normalidade 😍, mantendo a homeostase, caso o estímulo seja leve ou transitório, quadro ao qual chamamos de lesão celular reversível; ou pode evoluir para a morte celular 💀 iminente, caso o estímulo seja intenso ou progressivo, quadro ao qual chamamos de lesão celular irreversível.  

Quanto à morte celular Doc, existem diferentes maneiras de uma célula morrer 💀, dentre as quais destacam-se a apoptose, a necrose, a necroptose e a piroptose!

Doc, observe esse esquema que representa a visão geral de uma célula exposta a stress ou estímulos lesivos/nocivos.
Fonte: Kumar, V. Abbas, A. Fausto, N. Robbins e Cotran. Bases patológicas das doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Apoptose x Necrose

A apoptose é uma via de morte celular induzida e finamente regulada 💁 que, por manter a integridade da membrana plasmática, não promove reação inflamatória exuberante. Como principais características destacam-se: 👇

  • Tamanho celular reduzido (retração);
  • Núcleo sofre fragmentação;
  • Membrana plasmática encontra-se intacta, ainda que com sua estrutura alterada;
  • Conteúdo celular intacto, sendo liberado através de corpos apoptóticos;
  • Reação inflamatória nula ou diminuída;
  • Papel frequentemente fisiológico, mas também pode ocorrer em situações patológicas;

A necrose é uma via de morte acidental 😱 que, por não manter a integridade da membrana plasmática, extravasa o conteúdo intracelular e promove reação inflamatória exuberante. Como principais características destacam-se: 👇

  • Tamanho celular aumentado (tumefação);
  • Núcleo sofre uma sequência de alterações (picnose – cariorrexe – cariólise);
  • Membrana plasmática encontra-se rompida;
  • Conteúdo celular digerido por enzima, sendo extravasado para o meio externo;
  • Reação inflamatória exuberante ou, pelo menos, frequente;
  • Papel sempre patológico.

Doc, observe esse esquema comparando as alterações morfológicas principais que ocorrem nas células que sofrem necrose e nas que sofrem apoptose.
Fonte: Kumar, V. Abbas, A. Fausto, N. Robbins e Cotran. Bases patológicas das doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Necroptose

A necroptose consiste em uma via de morte intermediária 🧐 entre a apoptose e a necrose, possuindo características de ambas em diferentes graus. 

Suas causas podem ser tanto fisiológicas, quanto patológicas. Portanto, incluem situações como 👉 A formação da placa de crescimento ósseo; 👉 O mecanismo de apoio contra vírus que codificam inibidores de caspases; 👉 E a morte celular na esteato-hepatite, na pancreatite aguda e na lesão pós-reperfusão.

Doc, a morfologia de uma célula que sofre necroptose se assemelha mais à da célula que sofre necrose 😱. Assim, observa-se depleção de ATP, formação de EROs, tumefação celular, ruptura da membrana plasmática e liberação de enzimas lisossômicas que digerem a célula. 

Já a patogenia de uma célula que sofre necroptose se assemelha mais à da célula que sofre apoptose 💁. Assim, observa-se eventos geneticamente programados que culminam na morte celular. Contudo, diferentemente da apoptose, esses eventos não culminam na ativação das caspases. 

Doc, analise o esquema acima, que representa as possíveis vias de morte (necroptose x apoptose) e, em seguida, leia a explicação abaixo.
Fonte: Kumar, V. Abbas, A. Fausto, N. Robbins e Cotran. Bases patológicas das doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Como mencionamos anteriormente Doc, a patogenia da necroptose se assemelha à apoptose, em especial à sua via extrínseca. Embora todo o conjunto de moléculas de sinalização e suas interações são seja completamente compreendido 🤔, sabemos que envolve a conexão entre o TNR1, TNF ou Fas com seus respectivos ligantes. A partir disto, a célula pode seguir por dois caminhos distintos: 👇

  • ➡️ Conseguir ativar as capases e culminar na morte por apoptose; ou….
  • ➡️ Não conseguir ativar as caspases e recrutar as cinases associadas a receptor 1 e 3 (RIP 1 e RIP3) em um complexo de múltiplas proteínas chamado de necrossomo que culmina em alterações muito semelantes à necrose, como EROs, danos mitondirais, depleção de ATP, aumento de permeabilidade de membranas lisossômicas…

Macete! 💡

Doc, a necroptose segue por vias específicas que podem ser muito difíceis de memorizar! Por isso, a equipe MEDsimple pensou no seguinte macete para ajudar a memorizar os nomes das principais moléculas envolvidas:

  • Se o TNFFas” uma ligação, as caspases morrem (RIP) 1 ou 3 vezes!

Piroptose

A piroptose é uma forma de morte celular programada que recebe este nome devido a liberação de citocina IL-1, que causa febre ♨️, e também por partilhar semelhanças bioquímicas com a apoptose

Tal situação prevalece em situações como a de produtos microbianos 🦠 no citoplasma de células infectadas. Isto, pois esses produtos são reconhecidos pelos receptores imunológicos citoplasmáticos e podem ativar o complexo proteico conhecido como inflamossomo

O inflamossomo possui como função a ativação da caspase 1 🧐, também conhecida como enzima conversoa de interleucina 1-b, resultando na clivagem de uma forma precursora de IL-1 e liberando a forma biologicamente ativa de IL-1. Por sua vez, a IL-1 é um mediador de diversas reações que culminam no recrutamento de leucócitos e a febre. ♨️

Além disso, a caspase 1 possui uma íntima relação com a caspase 11, resultando na indução de morte celular. Contudo, ao contrário da apoptose, essa via de morte celular se caracteriza por: 👇

  • Tumefação celular;
  • Perda da integridade da membrana plasmática;
  • Liberação de mediadores inflamatórios.

Autofagia

A autofagia 🚫 não é um tipo de morte celular propriamente dito 🚫, mas sim um mecanismo de sobrevivência sob condições adversas. 🤔 Contudo, pode culminar em morte celular, caso essa seja incapaz de lidar com o estímulo ou situação imposta a ela.

Assim, consiste em um processo de autodigestão de uma célula, 🍽️ envolvendo a entrega de materiais citoplasmáticos ao lisossomo para serem degradados. De acordo com a forma de entrega do material, pode ser classificada em: 👇

  1. Autofagia mediada por chaperonas, onde há translocação direta através da membrana lisossomal por proteínas conhecidas como chaperonas;
  2. Microautofagia, onde há a invaginação para dentro das membranas lisossômicas;
  3. Macroautofagia, onde há o sequestro e o transporte de porções citoplasmáticas para dentro de um vacúolo autofágico (autofagossomo). 🚨Forma mais comum de autofagia🚨

Doc, observe no esquema acima a sequência da autofagia a partir de um estímulo ambiental (iniciação – alongamento – maturação – fusão – degradação).
Fonte: Kumar, V. Abbas, A. Fausto, N. Robbins e Cotran. Bases patológicas das doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Embora todos os detalhes do processo da autofagia não sejam conhecidos 😞, sabe-se que perante um ➡️ estímulo ambiental, tal como privação de alimentos ou de fatores de crescimento, um complexo proteico estimula a montagem de um ➡️ complexo de nucleação, responsável pela promoção da nucleação da membrana autofagossômica.

A membrana autofagossômica, por sua vez, se alonga, envolve e captura parte do citosol, se fechando para formar o ➡️ autofagossomo. Acredita-se que o conteúdo envolvido é marcado por proteínas como a LC3, sendo seletivo e não aleatório. 

Após, o autofagossomo se funde com o endossomo e com um lisossomo para formar o ➡️ autofagolisossoma, onde finalmente degrada a membrana interna e os elementos citosólicos através das enzimas lisossômicas

Bora testar o seu conhecimento?

Resposta

Doc, quer treinar esse assunto e qualquer assunto da medicina com +16.000 questões comentadas, +100.000 Flashcards, Resumos e Vídeo-aulas?

Se inscreva em nosso site para ser avisado da abertura de vagas da Plataforma MEDsimple👇

Referências

  1. KUMAR, V.; ABBAS, A.; FAUSTO, N. Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  2. Departamento de Anatomia Patológica, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Disponível em: <https://anatpat.unicamp.br>

Post navigation

2.149 Comments