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Hepatite C

Definição

A hepatite C é uma infecção que ocorre pelo vírus C (HCV) e pode ser aguda ou crônica. O vírus do HCV pertence a família do Flaviridae e esses “adoram um hepatócito” Doc, pois eles apresentam tropismo por esse tipo celular.

Sabe-se também que a infecção pelo HCV tem como principal forma de transmissão a via parenteral, geralmente associada a uso de material endovenoso, intramuscular ou perfuro-cortantes, como seringas, transfusão sanguínea, alicates, etc. Por fim, apesar da menor proporção, pode ocorrer transmissão sexual e vertical também.

Epidemiologia

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) temos uma prevalência global de 3% de infectados pelo HCV, sendo mais de 170 milhões de pessoas. Além disso Doc, o HCV apresenta alta morbidade e prevalência o que o torna um problema de saúde pública mundial. No Brasil, cerca de 0,7% são sororreagentes para o HCV.

Populações que apresentam taxas de pobreza extrema tem maior positividade para o anti-HCV, sendo frequente a história de utilização de seringas e drogas injetáveis e inaladas em algum momento.

Além disso, pessoas privadas de liberdade, submetidas a hemodiálise, usuários de drogas e pessoas vivendo com HIV são exemplos de populações mais vulneráveis à infecção pelo HCV.

Fisiopatologia

Com a infecção do HCV, o vírus chega até o fígado e inicia sua replicação no hepatócito e assim desencadeia processos inflamatórios celulares e teciduais ao fígado.

Na defesa do nosso organismo temos a imunidade humoral (linfócitos B) e celular de (linfócitos C), no entanto, o fato do vírus apresentar alta variabilidade genética e antigênica faz com que ele “escape” com facilidade das defesas do nosso corpo.

Com lesões inflamatórias persistentes nos hepatócito, pela cronicidade da doença, principalmente nos espaços-porta, ocorre um acúmulo de fibroses hepáticas, o que pode levar a disfunção progressiva associada a HIPERTENSÃO PORTAL.

A hepatite C pode sofrer aceleração com outras características associadas,
como confecção com HIV, uso de álcool ou uma confecção com HIV ou vírus da hepatite B. Sem esses fatores, leva cerca de 30 anos para chegar ao estágio de
cirrose ou hepatocarcinoma. Doc, se liga na imagem abaixo ilustrando a evolução da hepatite C, considerando os marcadores sorológicos e hepáticos e a sintomatologia do paciente👇

Quadro Clinico

Dentro do quadro clínico podemos dividir a hepatite C em dois campos: agudo e crônico.

Na fase aguda:

  • Paciente com menos de 6 meses de soro-conversão, sendo essa recente, é geralmente assintomático.
  • A sintomatologia acontece em menos de 30% do casos, geralmente entre 4-12 semanas depois da exposição e pode evoluir com sintomas constitucionais inespecíficos, como anorexia, astenia e mal-estar.

Na fase crônica:

  1. Apresentam HCV reagente por mais de 6 meses e tem o exame HCV-RNA positivo por mais de 6 meses também.
  2. Temos nesse estágio um processo inflamatório progressivo e persistente.
    • Dos casos de hepatite C, 5-30% podem evoluir para um diagnóstico de cirrose hepática e assim, há um risco de surgir um hepatocarcinoma em cerca de 5% desses pacientes.
  3. Se o tratamento não for feito ou mal administrado, há cronificação em mais de 70% do casos.

Vias de Transmissão

  • Pelo sangue contaminado
  • Falhas em esterilização de materiais médicos, odontológicos ou de manicure
  • Relações sexuais desprotegidas
  • Vertical – mãe para o filho na gestação ou parto
  • Procedimentos invasivos – como hemodiálise, cirurgias

Diagnóstico

Doc, para obter o diagnóstico laboratorial, precisa de no mínimo 2 testes para o HCV.

Teste inicial: Por meio do teste rápido para HCV. Os anticorpos anti-HCV aparecem cerca de 30-60 dias após a exposição ao vírus.

Teste confirmatório: temos o HCV-RNA qualitativo ou quantitativo. Na versão qualitativa identificaremos a presença ou a ausência do vírus. No teste molecular quantitativo calculam-se o número de cópias de genomas virais circulantes no paciente, a chamada carga viral, Doc.

Genotipagem para HCV: é um teste usado por meio de estudos moleculares que identificam os genótipos, subtipos e populações mistas do HCV, e assim, determinam o melhor esquema terapêutico. Saca só esse fluxograma Doc👇

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/politicas/hepatites_aconselhamento.pdf

Tratamento

Lembre-se Doc, as hepatites virais fazem parte da lista de doenças que precisam ser notificadas compulsoriamente ao SINAN.

Sobre o tratamento para a hepatite C, devemos tratar TODOS os pacientes com diagnóstico de infecção crônica, independente do grau de fibrose hepática.

O medicamento utilizado DOC são antivirais de ação direta (DAA), que apresentam altas taxas de cura, cerca de mais de 95%, por 8 ou 12 semanas – o tratamento está disponível pelo SUS .

Casos especiais:

Coinfecção HCV/HIV trata-se primeiro o HIV e depois de atingir a supressão viral pode-se iniciar o tratamento para o HCV.

Coinfecção HCV/HBV – nesse caso primeiro trata-se primeiro para hepatite C e hepatite B, independente do estágio da lesão hepática.

Hepatopatia avançada -ver a possibilidade de transplante hepático antes de iniciar o tratamento para hepatite C em pacientes cirróticos descompensados.

Gestantes – não se faz tratamento durante a gestação pelos efeitos teratogênicos.

Doença renal crônica – essa situação depende da função renal mesmo do paciente Doc, aqui se for de leve a moderada não temos contraindicação para usarmos retrovirais.

Prevenção

  • NÃO EXISTE VACINA CONTRA HEPATIE C, DOC
  • Não compartilhar objetos pessoais que possam ter contato com sangue
  • Uso de preservativos nas relações sexuais
  • Mulheres grávidas manter exames do pré-natal em dia.

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Resposta

💡Macete

Hepatite C, o C é de que, DOC ? De que é uma hepatite viral que tem CURA

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Referências

  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde. 3a ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e Coinfecções. 1a ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. Ofício Circular número 3/2022/CGAHV/DCCI/SVS/MS.
  • https://bvsms.saude.gov.br/bvs/politicas/hepatites_aconselhamento.pdf

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