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Acúmulos intracelulares

Introdução

Hey, Doc! Vamos começar entendendo o que são os acúmulos e o que pode ser acumulado, bora lá? 🙏 Bom, os acúmulos intracelulares podem ser de quaisquer substâncias, mas em especial de proteínas, lipídios, carboidratos e pigmentos, desde que em quantidades anormais. 👀 Essas substâncias podem estar tanto dispersas no citoplasma, quanto dentro de organelas ou do núcleo.

Mas ainda que as substâncias sejam naturalmente inofensivas, dependendo do grau de acúmulo, podem gerar lesão celular progressiva que pode culminar em morte celular! 😱 Contudo, se for possível controlar ou interromper a sobrecarga, o acúmulo pode ser reversível e a célula pode sobreviver! 😮‍💨

Mecanismos de acúmulos intracelulares

1️⃣ O primeiro mecanismo se baseia no acúmulo de uma substância endógena normal que acaba sendo produzida em taxa aumentada ou removida inadequadamente!

  • 🚨 #Atenção: pense comigo, Doc! Um exemplo disso é o acúmulo de lipídios (TAGs) no fígado devido a excesso, por exemplo, de álcool! Mas pode ficar tranquilo que mais pra baixo no texto, eu explico como isso acontece. 🚨

2️⃣ O segundo mecanismo se baseia no acúmulo de uma substância endógena anormal por conta de problemas em seu acondicionamento, transporte ou secreção. Ou seja, aquela substância está, por algum motivo, defeituosa! E isto causa problemas em seu manejo.

3️⃣ O terceiro mecanismo se baseia no acúmulo de uma substância endógena normal, mas que possui uma em sua degradação por conta de deficiência enzimática hereditária.

  • ⚠️ Doc, os acúmulos que acontecem por esse mecanismo geralmente são doenças que podemos agrupar dentro de um conjunto chamado de “doenças de depósito ou de armazenamento”! ⚠️

4️⃣ E o quarto e último mecanismo se baseia no acúmulo de uma substância exógena anormal, pura e simplesmente por que a célula não possui maquinário que reconheça as moléculas e as processe!

Mecanismos de acúmulo intracelular!
Fonte da imagem: Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Acúmulo de lipídios

Acúmulo de TAGs

A esteatose, ou degeneração gordurosa, se refere ao acúmulo anormal de triglicerídeos, geralmente acometendo o fígado! Já que este órgão é o principal envolvido no metabolismo dessas moléculas. Mas Doc, não se engane, pois este acúmulo pode ocorrer em qualquer outro local, como no coração, musculatura e rins.

  • 🚨 #Atenção! Nos países desenvolvidos, as principais causas de esteatose incluem abuso de álcool e a doença hepática gordurosa não alcoólica (associada à diabetes melito e à obesidade). 🚨

Quanto à morfologia, em todos os órgãos em que ocorre, a esteatose se apresenta como vacúolos claros dentro de células parenquimatosas. Assim, ela começa com pequenas inclusões revestidas de membranas, que chamamos de lipossomas, que coalescem e criam os grandes vacúolos! Esses vacúolos são tão grandes que deslocam o núcleo para a periferia da célula.

Hey Doc, 👀 veja na imagem abaixo como fica uma lâmina de um fígado com esteatose: 👇

Esteatose (degeneração gordurosa) hepática. Observe os vacúolos intracelulares de TAGs desviado para a periferia!
Fonte da imagem: Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Mas porquê o álcool causa acúmulo de TAGs?

Chegamos na principal dúvida, Doc! Veja só: o excesso de consumo de álcool pode sim causar esteatose, ou degeneração gordurosa. Mas você sabe o por quê? 🍺

Bom, as bebidas alcoólicas são altamente calóricas! 🥵 E com isso, estimulam a via de síntese lipídica para armazenamento dos excessos. E além disso, o álcool é, por natureza, uma substância tóxica, ☢️ o que resulta em prejuízo da via de degradação lipídica. Como resultado… temos acúmulo de lipídios!

Acúmulo de colesterol e ésteres de colesterol

Agora passando para o colesterol, é importante lembrarmos que seu metabolismo é finamente regulado nas células! ⚖️ Isto, pois queremos que todas tenham o suficiente para a confecção de suas membranas celulares (e de alguns hormônios, dependendo do tipo celular), de forma que não provoque acúmulo.

Contudo, em algumas situações patológicas, o colesterol acaba se acumulando e se apresentando histologicamente como vacúolos intracelulares, muito semelhantes ao que vemos na esteatose.

Então, vamos destacar os principais processos patológicos que resultam no acúmulo de colesterol: 👇

  1. Aterosclerose: uma lesão endotelial permite a entrada de elementos intravasculares para dentro da parede arterial. Um destes elementos é o LDL-colesterol (o famoso “colesterol ruim” 👿)! O que ocorre, é que o LDL é fagocitado por macrófagos, mas não consegue ser digerido por falta de maquinaria celular. Como resultado, se acumula em vacúolos lipídicos e converte os macrófagos em células espumosas. O agregado dessas células produz o famoso “ateroma”!
  2. Xantomas: depósitos de colesterol e de seus ésteres no tecido conjuntivo da pele e/ou dos tendões, produzindo massas tumorais.
  3. Doença de Niemann-Pick tipo C: uma doença genética de depósito causada por mutações em uma enzima envolvida no transporte de colesterol, resultando em seu acúmulo em diversos órgãos. 🧠
  4. Colesterolose: acúmulo de colesterol na vesícula biliar, em especial dentro de macrófagos convocados por inflamação local.

  • 🚨 #Atenção: Doc, aqui eu gostaria de destacar algumas manifestações que podem sugerir Doença de Niemann-Pick do tipo C (super importante para a sua prova!!) 👉 Veja, devido ao depósito de colesterol em órgãos do SNC 🧠, o paciente pode ter crises convulsivas precoces e atraso no DNPM. 🚨

Xantomas! Veja as massas tumorais formadas por acúmulo de colesterol no tecido conjuntivo da pele.
Fonte da imagem: https://opas.org.br/causas-de-xantomas-e-principais-tipos/

Acúmulo de proteínas

As proteínas geralmente se acumulam no meio intracelular gerando gotículas eosinofílicas arredondadas que podem formar vacúolos ou agregados. Doc, o motivo de seu acúmulo é diverso! Mas aqui, iremos destacar as causas mais importantes: 👇

  1. Doenças renais relacionadas à proteinúria podem resultar em gotículas de reabsorção nos túbulos renais. Veja, Doc: no rim, quantidades mínimas de proteína que são filtradas pelo glomérulo tendem a ser reabsorvidas por pinocitose. Contudo, em distúrbios que causem proteinúria, há de se esperar um consequente aumento da reabsorção proteica e acúmulo!
  2. Já outras condições incluem o transporte e secreção defeituosos da proteína. Como exemplo, temos a deficiência de a-1-antitripsina, em que mutações tornam seu dobramento extremamente lento, causando acúmulo de intermediários mal dobrados.
  3. Outra situação é o acúmulo de proteínas do citoesqueleto, geralmente ocorrendo por alguma forma de lesão celular. Aqui vale a pena destacar os pacientes com Doença de Alzheimer 🧠, que podem ter emaranhados neurofibrilares no cérebro, que contêm neurofilamentos e outras proteínas acumuladas, que podem influenciar nas manifestações neurológicas da condição.
  4. E, por fim, em casos de proteína anormal ou mal dobrada, também ocorre acúmulo. Isto acontece, por exemplo, na amiloidose (proteinopatia).

Hey Doc, veja como a proteína aparece na lâmina = são aqueles aglomerados rosa escuros!
Fonte da imagem: Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

Acúmulo de glicogênio

Doc, o glicogênio é uma reserva energética prontamente disponível para as células saudáveis! Porém, quando em excesso se apresenta como vacúolos claros dentro do citoplasma. Isto ocorre em pacientes que possuem anormalidades no metabolismo tanto da glicose, quanto do próprio glicogênio.

➡️ Vamos lá, Doc! O principal exemplo do distúrbio do metabolismo da glicose é o diabetes melito, condição em que o glicogênio pode se acumular em diversos tipos celulares.

➡️ E quanto ao metabolismo do glicogênio, uma série de condições podem alterá-lo! Normalmente, os distúrbios que causam tal condição são agrupados como doenças do depósito do glicogênio, ou glicogenoses. Nestas condições genéticas, defeitos em enzimas da síntese ou degradação do glicogênio causam seu acúmulo.

Acúmulo de pigmentos

Afinal, o que são pigmentos? Bom Doc, os pigmentos são substâncias coloridas! 🌈 Simples assim! 🌈 Algumas são constituintes normais das células, como a melanina; Já outras não são normalmente encontradas nas células. Assim, podemos agrupar os pigmentos entre os endógenos e os exógenos.

Pigmentos exógenos

Hey Doc, o principal pigmento exógeno que eu quero que você se lembre é o carbono! ⚫ Esse pigmento é oriundo da poeira de carvão, sendo um poluente atmosférico bem comum em áreas urbanas. 🚗💨

Quando inalado, o carbono é assimilado pelos macrófagos alveolares e transportado até os linfonodos do hilo pulmonar. Seu acúmulo promove um aspecto negro ao tecido pulmonar, determinando o que chamamos de antracose! ⚫🫁⚫

  • 🚨 #Atenção: nos mineradores de carvão, o acúmulo desse pigmento pode induzir uma reação inflamatória que culmina em enfisema pulmonar, determinando uma doença gravíssima conhecida como pneumoconiose dos trabalhadores do carvão! 🚨

Antracose em linfonodos do hilo pulmonar (seta amarela) e antracose no parênquima pulmonar (circulado em cor-de-rosa).
Fonte da imagem: https://anatpat.unicamp.br/pecasresp24.html

Pigmentos endógenos

O primeiro pigmento endógeno que falaremos é a lipofuscina, uma substância ✨ marrom/dourada ✨ insolúvel que se origina da degradação de lipídios de membrana intracelular. Geralmente, não é nociva à célula ou às funções celulares. Contudo, seu acúmulo é um denunciador de lesão por radicais livres ou, simplesmente, um sinal de envelhecimento celular! 👴🏽

Doc, veja a seta preta sinalizando os depósitos de lipofuscina, um pigmento marrom/dourado!
Fonte da imagem: Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.

A melanina, por sua vez, também é um pigmento endógeno que possui uma cor variável do 🟤 castanho ao negro ⚫, e é produzida pelos melanócitos. Ou seja, quanto mais se acumula, mais escuro aquela área corporal será!

  • 🚨 #Atenção: a melanina em excesso é um sinal de câncer de pele?? ☀️ Não necessariamente, Doc! Na verdade, a melanina é um pigmento protetor do DNA da célula, funcionando como uma barreira entre a luz UVB cancerígena e nosso material genético. 🚨

E, por fim, a hemossiderina, um pigmento granular 🟡 amarelo-ouro ao marrom 🟤 que deriva da hemoglobina, sendo uma das principais formas de armazenamento do ferro. Pensa comigo, Doc, em uma hemorragia, as hemácias extravasadas serão fagocitadas por macrófagos, que degradam a Hb para recuperar o ferro. Após isto, a por porção heme vai ser convertida em biliverdina e bilirrubina. Paralelamente, o ferro forma agregados de hemossiderina. Por sua vez, a hemossiderina vai ser degradada em hematoidina, depois em hematina até que, enfim, é completamente degradada.

  • 🚨 #Atenção: Doc, é por conta deste fenômeno que os nossos hematomas mudam de cor conforme passa o tempo! Veja na imagem a seguir, o espectro equimótico de Legrand de Saulle, que explica o tempo de evolução de uma lesão conforme sua cor: 👇

Doc, veja esta imagem com a coloração da lesão variando conforme o tempo!
Fonte da imagem: https://enfermagemilustrada.com/espectro-equimotico/

💡 Macete!

Mas claro, Doc, pensando em acúmulo de pigmentos endógenos, em especial da melanina, sempre é importante ter atenção para a parte da dermatologia que estuda o câncer de pele.

Com isso, quis trazer para ti um macete para que lembre-se das principais características que precisamos nos atentar ao presenciar uma lesão de pele suspeita para câncer de pele! 🤔

Para isso, basta lembrar do ABCDE da dermatologia: 👇

  • A: assimetria dos eixos 👉 se for assimétrico ao dividir em dois eixos, pensa-se em uma condição maligna; mas se for simétrico, pensa-se em uma condição benigna;
  • B: borda (dividir em 8 partes) 👉 se a borda for irregular, pensa-se em uma condição maligna; mas se for regular, pensa-se em uma condição bengina;
  • C: cor (tonalidade) 👉 se tiver dois ou mais tons, pensa-se em uma condição maligna; mas se tiver um tom único, pensa-se em uma condição benigna;
  • D: diâmetro 👉 se for > 6mm, pensa-se em uma condição maligna; e se for < 6 mm, pensa-se em uma condição benigna;
  • E: evolução 👉 via de regra, não se percebe o crescimento de uma condição benigna! Portanto, se o paciente notar um crescimento, devemos ter maior atenção para a possibilidade de uma condição maligna.

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Referências

  1. KUMAR, V.; ABBAS, A.; FAUSTO, N. Robbins e Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  2. Departamento de Anatomia Patológica, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Disponível em: <https://anatpat.unicamp.br>

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