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Influenza

Definição

A influenza, também conhecida como gripe, é uma infecção causada por um vírus da família Orthomyxoviridae que causa, sobretudo, sintomas no trato respiratório.

Epidemiologia

A epidemiologia do vírus influenza varia a cada ano, mas geralmente há uma maior incidência de casos durante os meses de inverno – o que a caracteriza como uma doença sazonal. Apesar de poder acometer pessoas de todas as idades, atinge mais os extremos de idade: crianças e idosos.

Fisiopatologia

A fisiopatologia da doença não é completamente compreendida, sobretudo em termos moleculares. A infecção inicia-se nas vias aéreas superiores, pelo epitélio respiratório colunar, e se espalha para as vias aéreas distais.

Virologia

Existem 4 tipos de vírus influenza: A, B, C e D. Mas apenas os 3 primeiros podem infectar humanos.

  • Influenza tipo A: é o principal responsável pelas epidemias e pandemias de gripe. Seus dois tipos que circulam em humanos são: H1N1 e H3N2. Isso se deve ao seu grande potencial de rearranjo gênico, com o “antigenic drift” e “antigenic shift”.
    • Antigenic drift: são pequenas alterações naturais nas proteínas de superfície do vírus, como a hemaglutinina (HA) e neuraminidade (NA). Essas alterações podem fazer com que o vírus se torne mais ou menos capaz de se ligar aos receptores celulares humanos. Esse mecanismo é responsável pelas epidemias sazonais do vírus influenza e também é o motivo pelo qual a vacinação anual é recomendada, uma vez que é necessário se adaptar às novas cepas do vírus para uma proteção eficaz.
    • Antigenic shift: são grandes alterações estruturais que ocorrem com o vírus, sendo mais raras que os “drift”. Essas alterações são resultado de recombinação genética do vírus, podendo ocorrer recombinação com cepas animais – a influenza tipo A também está presente em aves, porcos, cavalos e mamíferos marinhos. A mudança resulta em um novo subtipo de influenza A, que pode se associar às pandemias em humanos.
  • Influenza tipo B: ele infecta apenas humanos e não possui reservatórios animais conhecidos. Apresenta duas linhagens: B/Victoria e B/Yamagata. Eles possuem menos variações genéticas que o tipo A, limitando-se a casos sazonais e raramente a epidemias.
  • Influenza tipo C: seus casos são mais raros e mais leves que as outras variantes, também sendo menos contagioso. Por não sofrer antigenic drift e pelos casos serem raros, a vacinação anual não é indicada.

💡 Macete

Para lembrar desses tipos de vírus, Doc, pense assim:

  • O vírus A é Assustador, já que causa epidemias e pandemias;
  • O vírus B é Bonzinho, pois causa poucas epidemias, limitando-se a casos sazonais;
  • O vírus C é Café com Leite, uma vez que não está relacionado a epidemias e pandemias.

Transmissão

A transmissão ocorre sobretudo de pessoa a pessoa, por meio de gotículas respiratórias, também chamadas de fômites, contaminadas. Isso requer um contato próximo, geralmente em ambientes fechados e aglomerados. Mas também pode ocorrer por transmissão manual do vírus de superfícies contaminadas para superfícies mucosas, como olhos, nariz e boca.

Após a contaminação, há um período de incubação do vírus, que varia de 1 a 4 dias, tendo uma média de 2 dias. As pessoas contaminadas passam a transmitir o vírus 1 a 2 dias antes do início dos sintomas, sendo que o pico de excreção viral ocorre entre 1 e 3 dias do início da doença e declina até níveis não detectáveis por volta do 5º dia após o início dos sintomas.

Quadro Clínico

A principal manifestação da infecção pelo influenza é a síndrome gripal, a qual se caracteriza por comprometimento das vias aéreas superiores associada a pelo menos 1 sinal de comprometimento sistêmico.

Dentre os sintomas de comprometimento das vias aéreas superiores, podemos destacar: rinorreia, tosse não produtiva, disfonia e odinofagia. Já, dentre os sintomas sistêmicos, temos: febre, mialgia, calafrios, mal estar geral, apatia, fadiga e cefaleia.

A síndrome gripal costuma ser um quadro autolimitado, sendo que as pessoas recuperam-se de 3 a 5 dias, apesar de que a tosse e o mal estar possam persistir por até 2 semanas.

Complicações

Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): A gripe pode complicar para SRAG quando além dos sintomas da síndrome gripal o paciente apresenta dispneia ou desconforto respiratório, SpO2 <95% em ar ambiente, aumento da frequência respiratória, piora nas condições clínicas de base ou hipotensão em relação a pressão arterial habitual do paciente.

Pneumonia: A pneumonia pode ser causada tanto pelo vírus influenza quanto por uma infecção bacteriana secundária. Dentre as bactérias que podem desencadear esse quadro de pneumonia, podemos destacar o S. pneumoniae e o S. aureus. Ela pode ser potencialmente fatal em crianças, idosos, grávidas e pessoas com doenças crônicas.

Outras complicações: otites e sinusites são complicações consideradas menos graves. Dentre as mais graves, podemos destacar: miocardite, encefalite, polirradiculoneurite (síndrome de Guillain-Barré), miosite, rabdomiólise e falência múltipla de órgãos.

Diagnóstico

O diagnóstico da influenza pode ser feito de forma clínica, com base nos sinais e sintomas, ainda mais quando houver atividade do vírus na comunidade. Todavia, ele pode ser dificultado devido a similaridade do quadro com outras infecções virais, sobretudo em crianças.

Assim, o diagnóstico pode ser confirmado com testes laboratoriais. Os testes moleculares são preferíveis devido sua alta sensibilidade e especificidade. Se disponíveis, podem ser feitos testes RT-PCR pela sua alta sensibilidade e especificidade. Como alternativa a eles, os testes rápidos moleculares também são uma opção – apesar de que um resultado negativo de um teste rápido antigênico não exclui a infecção e, por isso, não deve impedir o tratamento antiviral empírico.

De modo geral, esses testes laboratoriais são indicados quando o resultado influenciarem no tratamento.

Tratamento

O tratamento baseia-se em medidas de suporte, como hidratação, repouso e uso de sintomáticos (como antitérmicos e analgésicos), e uso de antivirais.

Idealmente, o uso de antivirais deve ocorrer nas primeiras 48h de sintomas, pois assim apresentará os melhores resultados em diminuição da duração dos sintomas, do risco de complicações e do risco de mortalidade entre populações de maior risco.

No Brasil, os antivirais disponíveis para o tratamento da gripe são o oseltamivir e o zanamivir. Veja na tabela a seguir a posologia desses medicamentos, Doc:

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22445f-Diretriz-_Atualiz_Trat_e_Prev_Infecc_Virus_Influenza_2020.pdf

Prevenção

A população deve ser orientada sempre que possível sobre as principais medidas para prevenir a gripe. Essas medidas incluem:

  • Evitar aglomerações;
  • Manter os ambientes limpos e arejados;
  • Cobrir a boca ao tossir ou espirar;
  • Lavar frequentemente as mãos com água e sabão;
  • Utilizar álcool em gel para higienizar as mãos;
  • Evitar tocar as mucosas de olhos, nariz e boca;
  • Manter-se hidratado e bem nutrido.

Além de todas essas medidas, a mais efetiva dela continua sendo a vacinação. Ela está disponível pelo PNI para grupos de risco, como idosos, crianças pequenas e gestantes. É uma vacina inativada, aplicada de forma intramuscular anualmente – exceto para os casos de primovacinação, ocasião em que deve ser feito uma segunda dose depois de 4 ou 6 semanas.

https://www.joaopessoa.pb.gov.br/noticias/campanha-de-vacinacao-contra-a-influenza-em-joao-pessoa-registra-baixa-procura-e-prefeitura-reforca-a-importancia-do-imunizante/

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Referências

  1. RODRIGUES, Cristina Oliveira, et. al, Atualização no tratamento e prevenção da infecção pelo vírus influenza – 2020, Sociedade Brasileira de Pediatria, Abril, 2020
  2. ZACHARY, Kimon C, Seasonal influenza in nonpregnant adults: Treatment, Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/seasonal-influenza-in-nonpregnant-adults-treatment?search=influenza%20tratamento&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1, Acesso em: 19/01/2023
  3. DOLIN, Rafhael, Seasonal influenza in adults: Clinical manifestations and diagnosis, Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/seasonal-influenza-in-adults-clinical-manifestations-and-diagnosis?search=influenza&source=search_result&selectedTitle=3~150&usage_type=default&display_rank=3, Acesso em: 19/01/2023
  4. DOLIN, Rafhael, Influenza: Epidemiology and pathogenesis, Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/influenza-epidemiology-and-pathogenesis?search=influenza&source=search_result&selectedTitle=5~150&usage_type=default&display_rank=5, Acesso em: 19/01/2023

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